Bem vindo(a) ao NaturMariense

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3 de junho de 2014

A "CELHA DE BARRO" DE SANTA MARIA

 QUANTOS MENINOS LEVA?!:)

Alunos de Almagreira inscritos no CADEP-CN, iniciaram o estudo das peças tradicionais da olaria mariense, tendo começado, pela “Celha de Barro”, que a par do “Talhão grande”, são os produtos de maior dimensão.

Este estudo insere-se no âmbito do projeto “Ambiente e Património Local – “Conhecer para valorizar e proteger”, que faz parte do PCT dos 1º e 3º anos e do Plano de Atividades do CADEP-CN, o qual terá continuidade no próximo ano letivo.

AS CELHAS ANTIGAS
 
Geralmente quando se fala em celhas antigas, o mais comum é reportarmo-nos à tradicional celha de madeira  com aro metálico tipo fundo de pipa, que normalmente era usada nas vindimas para pisar uvas ou recolher o vinho novo, saido da bica da prensa ou dos balseiros.

Mas, na "Terra - mãe do barro dos Açores”, a criatividade da olaria mariense, fazendo valer  a sua matéria prima endógena, talhou também as celhas, configurando-as no modelo de cone afunilado, com fundo raso  ou na forma mais bojuda de “meio-talhão”, como se vê nas fotos. 

As celhas maiores, no dizer de vinhateiros antigos tinham capacidades de 10 a 20 almudes, ou seja de 250 a 500l.

Tanto uma como outras eram peças utilizadas maioritariamente nas adegas, mas também na captação de águas da chuva caída do telhado e como bebedouro de animais.

   - José Melo
  Docente e coordenador do CADEP-CN*
  *Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural de Sta Maria

2 de junho de 2014

"FORNO DE CAL DA GRAÇA" VISITADO POR ALUNOS

ALUNOS DE ALMAGREIRA INSCRITOS NO CADEP-CN VISITAM O PATRIMÓNIO LOCAL
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No âmbito do projeto “Ambiente e Património Local – “Conhecer para valorizar e proteger”, que é o tema do PCT dos 1º e 3º anos e do Plano de atividades do CADEP-CN, um grupo de alunos estão a estudar o processo da produção/utilização de cal, desde a extração do calcário nas grutas do figueiral, passando pelo seu transporte,  cozedura, peneiramento e caiação de casas.

Nesse trabalho de estudo, depois da ida às Grutas do Figueiral, visitaram 6 fornos de cal, na freguesia de Almagreira, sendo o último o do Moinho da Rocha. 

Reforça aqui o CADEP-CN a sua proposta de criação da “ROTA DA CAL”, sendo premente a recuperação destes 6 fornos, antes que seja tarde demais, já tendo feito esse desafio à Junta de Freguesia de Almagreira, solicitando apoio à CMVP. Como proponentes disponibilizamos para ser parceiros e facultar a nossa documentação, resultante das pesquisas efetuadas.

DESCRIÇÃO DO “FORNO DE CAL DO MOINHO DA ROCHA”

É uma construção tradicional, edificada à volta de 1910, destinada ao “cozimento” de pedras de calcário para a produção de cal.
A edificação principal configura um corpo em forma de cilindro, aberto no topo, sendo construído em pedra de cantaria do Anal, muito bem aparelhada, em prismas quadrangulares quase perfeitos.

 A boca do forno, cujo vão remata em arco angular, incorpora-se num troço de parede que preenche um arco semicircular e tem o acesso protegido por dois muros/contrafortes em curva.

Na parede à direita da boca do forno existe um armário em pedra de cantaria, também conhecido por “gateira”.

A parede sob o arco e os muros/contrafortes são construídos em alvenaria de pedra argamassada com saibro e cal.

A subida da base até à orla do forno é feita por uma interessante escadaria em pedra de cantaria.

* José Melo
   Docente e coordenador do CADEP-CN 

29 de abril de 2014

CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARQUEOLOGIA EM SANTA MARIA

O Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e Contemporânea (CEAM) e suas instituições parceiras, entre as quais a Câmara Municipal de Vila do Porto vai organizar o Congresso Internacional intitulado "As relações transatlânticas entre a Europa, a América e as ilhas do Atlântico", que terá lugar entre os dias 1 e 5 de maio, na ilha de Santa Maria. 

PROGRAMA PRELIMINAR 
(Outras informações AQUI)

» QUINTA-FEIRA, 1 MAIO 2014 

 09h30 - 10h00: Receção de participantes 
10h00 – 11h00: Sessão de abertura com a presença de: 
- Vasco Alves Cordeiro, Presidente do Governo Regional dos Açores 
- Pedro Manuel dos Reis Alves Catarino, Representante da República para a Região Autónoma dos Açores 
- Ireneu Cabral Barreto, Representante da República para a Região Autónoma da Madeira 
- Carlos Henrique Lopes Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto 

PAUSA PARA CAFÉ 

 11h30: 1ª Mesa de Comunicações Livres

11h30 - 11h55: Olaria de Santa Maria nas coleções do Museu de Olaria, em Barcelos - Isabel Fernandes

11h55 - 12h20: A Cerâmica Portuguesa no Comércio do Atlântico Norte - Rosa Varela Gomes, Tânia Manuel Casimiro & Mário Varela Gomes 

PAUSA PARA ALMOÇO 

14h30: 2ª Mesa de Comunicações Livres
14h30 - 14h55: Comunicação a definir
14h55 - 15h20: Da importância de uma Arqueologia dos primórdios do povoamento e colonização europeias - João Palla Lizardo
15h20 - 15h45: Fragmento de painel de azulejos da primeira fase da monocromia azul e branco (século XVIII) (Mosteiro de Jesus da Ribeira Grande) - Mário Moura
 
15h45 - 16h10: - Novos dados químicos da cerâmica de produção de cerâmica utilitária açoriana (séculos XVII- XX) - Fernando Castro & Élvio Sousa

PAUSA PARA CAFÉ 

16h40: 3ª Mesa de Comunicações Livres

16h40 - 17h05: Musealização de um naufrágio: Caroline - José Luís Neto


17h05 - 17h30: Fortificações nos Açores: entre a Europa e a América - o caso de Santa Maria (perspectivas historiográficas) - Carlos Luís Cruz

17h30 - 17h55: O “Castelo” de São João Baptista, na Ilha de Santa Maria, Açores. A mais antiga edificação militar dos Açores? - Élvio Sousa

17h55 - 18h20: Projeto de consolidação e conservação das ruínas do Forte de São João Batista, no lugar da Praia Formosa, na ilha de Santa Maria - Raquel Couto Sousa 

18h30 - Apresentação do livro “Cerâmica dos Açores”, de Alexandra Andrade, Centro Regional de Apoio ao Artesanato (CRAA)  

17 de abril de 2014

VÍDEO: VISTAS DE ALMAGREIRA

15 de abril de 2014

VISITA À QUINTA DOS ARRUDAS (LUGAR DO MONTEIRO, ALMAGREIRA

No âmbito do projeto “Ambiente e Património Local – “Conhecer para valorizar e proteger”, que é o tema do PCT da turma dos 1º e 3º anos da Escola de Almagreira, os alunos e o CADEP-CN estudaram e depois foram conhecer a bonita e histórica “Quinta dos Arrudas”, que passo a apresentar.
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 Conforme a data da inscrição no arco da entrada lateral do Jardim e quinta "1871", trata-se de uma construção Séc. XIX, talvez com alguns acrescentos já no início do séc. XX.
 
No seu conjunto, a “Quinta dos Arrudas” é constituída por habitação, dois edifícios de apoio às atividades agrícolas (com cavalariças, tanque e depósito de água), currais de porco, recintos murados que envolvem a habitação e os edifícios anexos, "jardim de passeio" (jardim formal), pomares e campos agrícolas.

 A habitação é de planta retangular com um piso sobre caixa-de-ar. Tem forno (com duas bocas) de volume exterior e de planta retangular (com "janela da gateira" e chaminé com remate de secção retangular) adossado à fachada lateral direita.

A caixa-de-ar tem vãos para ventilação, emoldurados em pedra de cantaria.

 Na continuidade do corpo do forno encontram-se a retrete e os arrumos.

 A habitação é construída em alvenaria de pedra rebocada e caiada, com exceção dos cunhais, da cornija, das faixas e das molduras dos vãos (com verga de volta inteira sobre impostas) que são em cantaria.
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14 de abril de 2014

VISITA À QUINTA DA "SENHORA DO MONTE" OU QUINTA DA "MEIA LARANJA"

No âmbito do projeto “Ambiente e Património Local – “Conhecer para valorizar e proteger”, que é o tema do PCT da turma dos 1º e 3º anos da Escola de Almagreira, os alunos e o CADEP-CN estudaram e depois foram conhecer a bonita e histórica “Quinta da Senhora do Monte”, que passo a apresentar.

Esta quinta solarenga, localizada na freguesia de Almagreira, é uma construção do início do Séc. XX (1819), pertença da família do Senhor Francisquinho da Praia. 

É composta por uma grande casa rural (antiga casa de quinta) constituída por habitação, ermida, corpo do escritório, casa do alambique, cisterna, retrete e curral de porco. 

A retrete, separada do complexo habitacional, fica próxima da cisterna e está adossada ao curral do porco.  

A cisterna, de planta retangular, ocupa o espaço compreendido entre o embasamento do forno e o tardoz da ermida. 

 O corpo da habitação é de planta retangular com dois pisos (lojas no piso térreo) e sótão. Tem "caixa do lar" (com "janela da gateira" e "chaminé de vapor") e forno semicilíndrico (sobre embasamento) salientes.  

No ângulo do forno com a habitação existe um balcão com escada em cantaria, para acesso ao piso superior. As janelas são de guilhotina de duas folhas. 

13 de abril de 2014

VISITA À "QUINTA DO FALCÃO", EM ALMAGREIRA


No âmbito do projeto “Ambiente e Património Local – “Conhecer para valorizar e proteger”, que é o tema do PCT da turma dos 1º e 3º anos da Escola de Almagreira, os alunos e o CADEP-CN estudaram e depois foram conhecer a bonita e histórica “Quinta do Falcão”, que passo a apresentar.
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Construção do Séc. XVIII, a vistosa e extensa “Quinta do Falcão, situada na freguesia de Almagreira, é uma propriedade contígua à estrada regional, sendo o seu acesso através de um grande portal de caris neoclássico. 

Transposto o portal, um longo caminho empedrado e ladeado por muros altos leva-nos até ao complexo de edificações da quinta. 

O edificado da quinta é constituído por habitação, cavalariças, edifícios de apoio à atividade agrícola, poço e mirante, onde os senhorios (normalmente as senhoras), no final da tarde, saboreavam o chá de ervas aromáticas, o tradicional vinho abafado ou licores caseiros e as iguarias da doçaria mariense, enquanto “miravam” a paisagem e quem passava na estrada, recebendo aí as novidades do dia, através dos transeuntes.  

A habitação é constituída por vários corpos de um e dois pisos organizados em torno de um pátio fechado e formando um retângulo.  

O chão do pátio, assim como as escadas de acesso são de pedra de cantaria, o que lhe confere um cunho muito rústico e nobre. 

A cozinha apresenta-se saliente do retângulo da habitação e tem uma chaminé de grandes dimensões.  

A habitação tem um largo balcão ao longo de dois lados do retângulo (num deles com “conversadeiras” embutidas no murete de proteção) e insere-se num complexo de pátios e recintos murados. 

 Todas as construções são em alvenaria de pedra rebocada, sendo a habitação caiada com as molduras, as pilastras, os socos e as faixas pintadas de almagre. 

Os muros divisórios e as construções de apoio são integralmente pintados de almagre, como era tradicional nas propriedades da família Falcão.  

As coberturas são de duas ou quatro águas em telha de meia-cana tradicional, geralmente rematadas com beiral duplo.  

 O poço situa-se num terreno inferior, perto do balcão da habitação. 

O mirante é também rebocado e  pintado com cor almagre. Está inserido no muro de pedra seca que limita a propriedade, junto à estrada, perto do portal da entrada na quinta.

Nesta propriedade existem três imponentes araucárias, servindo uma delas para dar sombra ao mirante. 

Texto: José Melo
Fonte consultada: "Arquivo da Arquitetura Popular dos Açores".
 

VISITA À QUINTA DE SANTA RITA OU DA FONTE DO MOURATO, EM ALMAGREIRA

No âmbito do projeto “Ambiente e Património Local – “Conhecer para valorizar e proteger”, que é o tema do PCT da turma dos 1º e 3º anos da Escola de Almagreira, os alunos e o CADEP-CN estudaram e depois foram conhecer a bonita e histórica “Quinta de Santa Rita”, que passo a apresentar.
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QUINTA DE "SANTA RITA" OU DA “FONTE DO MOURATO” 
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Trata-se de uma magnífica quinta que remonta ao século XVIII, pertença dos familiares do Senhor Ernesto Arruda. 

É composta por um solar antigo, com agumas modificações advindas dos restauros recentes, mas que continua uma imponente edificação histórica, com  socos e molduras de portas e janelas em cantaria, contendo adossado ao seu corpo a Ermida de Santa Rita ou da Senhora da Natividade. Na extensa área da quinta, existe um forno de cal e alguns anexos, outrora adstritos a funções agrícolas, como a adega, assim como um espaço de pomar e um bonito e amplo espaço verde com  “jardim de passeio”, destacando-se duas imponentes auracárias, entre outras espécies de vegetação. 
 

A Ermida terá sido erguida na primeira metade do século XVIII em cumprimento a uma promessa. Durante um forte temporal registado na ilha, a queda de um raio feriu gravemente o proprietário e matou um seu irmão. A esposa do proprietário prometeu erigir uma capela a Nossa Senhora, em intenção da recuperação do esposo, graça que, obtida, conduziu à sua edificação. 

É uma Ermida de planta retangular adossada à empena esquerda do antigo solar, proporcionando maior imponência e enriquecimento ao conjunto do edificado. 

 A fachada principal, delimitada por largos cunhais cujo embasamento se confunde com um soco moldurado e bojudo, parece incompleta na parte superior. Tem, ao eixo, um portal encimado por uma janela. O portal, rematado em arco abatido com uma concha em relevo no fecho, é ladeado por pilastras encimadas por pináculos encastrados. Os fustes das pilastras são almofadados e ladeados por grossas volutas. A janela tem moldura simples com verga curva. 

 A parte posterior da fachada lateral esquerda é encimada por um campanário (com arco de volta perfeita sobre impostas), não dispondo já do sino. 

 A construção é  em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco, com exceção do soco, dos cunhais, da moldura da janela e de parte dos elementos decorativos do portal que são em cantaria cinzenta da pedreira do Anal, bastante trabalhada. 

 No adro tem o chão em calçada tradicional de lajes de basalto, contendo uma araucária centenária e um robusto banco de em blocos de cantaria, que servia de mirante, para a família passar os finais da tardes de bom tempo, como era habitual nas quintas abastadas. A escadaria que liga o logradouro é em cantaria, com o espalo plano entre escadas em pedras roladas pelo mar.    

Conforme era hábito na ilha, nesta wermida era feita a celebração dos ofícios religiosos para a comunidade em determinados dias, conforme contrato dos abastados proprietários com os frades franciscanos. 
 
Os nosso agradecimentos pela autorização da visita à quinta e parabéns aos proprietários pelo bom estado de conservação da propriedade.
 

 Texto de José Andrade Melo
 Fonte consultada: “Inventário do Património do Concelho de Vila do Porto" (IAC)
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1 de abril de 2014

FÁBRICA DA TELHA DE SANTA MARIA URGE DE RECUPERAÇÃO


 TAMBÉM CONHECIDA POR FÁBRICA DE CERÂMICA OU DE OLARIA DE SANTA MARIA

PATRIMÓNIO SINGULAR DE ARQUITECTURA INDUSTRIAL
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XX
Este património singular de Santa Maria e dos Açores, é composto por um complexo fabril constituído por diversos corpos, nomeadamente pelo corpo dos fornos, com ligação subterrânea a uma chaminé industrial, por um aglomerado de diferentes corpos encostados entre si onde se situavam as oficinas, os armazéns e os serviços, e por uma garagem e uma casinha de apoio mais afastadas. Para implantação de alguns dos corpos do aglomerado foi construída uma plataforma cujo muro de suporte é paralelo ao corpo dos fornos.

O corpo dos fornos é constituído por um grande telheiro aberto, sob o qual se encontram os fornos industriais construídos em alvenaria de pedra argamassada, com abóbada de canhão em tijolo refractário. A estrutura de suporte do telheiro dos fornos e os restantes edifícios combinam o betão armado com a alvenaria de tijolo. Todas as estruturas construídas foram caiadas com pigmento ocre, excepto a chaminé que manteve o tijolo à vista. As coberturas são em telha de meia-cana.
ELEMENTOS PATRIMONIAIS NOTÁVEIS: Fornos e chaminé.

ALERTA: Este singular e valioso património, urge de ser classificado e recuperado, antes que seja tarde de mais pelas entidades competentes, para se fazer o "Museu da olaria mariense ", rentabilizando-se o espaço também para o necessário Centro de Artesanato da Ilha, Posto de Turismo, etc.
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Fonte consultada: 
"Inventário do Património Imóvel Histórico e Religioso de Vila do Porto". (IAC)

5 de março de 2014

ARTISTA LAMENTA “ADORMECIMENTO” DA OLARIA NA TERRA DA SUA ORIGEM

ARTISTA PLÁSTICO-OLEIRO DO BRASIL PROCURA ORIGENS DA CERÂMICA NOS AÇORES
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      Olarias antigas de Santa Maria
 "incompreensivelmente desprezadas"

No seu projeto de estudo, Lourival Medeiros, artista plástico e oleiro tinha expectativa e objetivo de descobrir novas técnicas e conhecer melhor a cerâmica do arquipélago, mas deparou-se com uma atividade quase inexistente, mesmo na sua terra de origem (Santa Maria) o que lamentou profundamente. Outra das suas estranhezas foi o estado de abandono dos marcos históricos que patenteiam essa indústria que foi, extremamente importante para a ilha.

“Quero ter contacto com a argila de Santa Maria, que abastecia toda a região. Os oleiros açorianos usam agora argila que vem de Espanha, o que é uma pena porque a argila de Santa Maria é de altíssima qualidade e não está a ser valorizada”, frisou.”

Lourival Medeiros, descendente de açorianos, está a estudar a origem da olaria no arquipélago dos Açores, num projeto que pretende culminar com o lançamento de um livro sobre o assunto.

“Pretendo saber como é que ela veio para os Açores. Até agora, consegui saber que vieram oleiros do continente, da região do Alentejo, de S. Pedro do Corval, onde pretendo ir para tentar saber melhor de onde vem a cerâmica açoriana”, afirmou o oleiro em declarações à Lusa.

Lourival Medeiros, que vive em Santa Catarina, no Brasil, mas descende de açorianos da ilha Terceira, assumiu que pretende utilizar todos os conhecimentos que adquirir neste projeto para editar um livro que será “um registo da cerâmica dos Açores”.

No seu projeto de estudo, este artista plástico e oleiro tinha a expetativa e objetivo de descobrir novas técnicas e conhecer melhor a cerâmica do arquipélago, mas deparou-se com uma atividade quase inexistente, mesmo na sua terra de origem (Santa Maria), o que lamentou profundamente. “É com muita estranheza que vemos o estado de abandono dos marcos físicos ligados à olaria na ilha”. Tal fato, sobejamente alertado e denunciado pelo CADEP-CN é deveras lamentável para a memória coletiva mariense e afirmação da nossa identidade histórico-cultural, o que em nosso entender reflete a insensibilidade (e até desrespeito) das entidades locais e regionais, ao longo dos anos por um património ancestral da ilha, e que lhe foi um dos mais importantes suportes económicos do passado.
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Fornos de loiça/telha urgem de recuperação 
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9 de fevereiro de 2014

A EXPLORAÇÃO DO CALCÁRIO E A “ROTA DA CAL” EM SANTA MARIA

 MAIS UMA PROPOSTA DE TURISMO ECO-CULTURAL
 PARA SANTA MARIA

Grutas do Figueiral, onde até ao fim da década de 60
se extraia calcário com regularidade
A exploração do calcário, para transformação em cal e posterior uso na “caiação” das casas fazia-se essencialmente na Ponta das Salinas em Sto Espírito e, de forma mais intensiva, no Figueiral, em Almagreira, havendo aqui diversas grutas, ao longo da Costa sul advindas da extração das “pedras de cal”, como popularmente eram chamadas.

É precisamente na visitação destas grutas que propomos o começo da “Rota da Cal” de Almagreira, começando-se com a explicação do processo mecânico  de soltar os blocos calcareníticos (força muscular, barras e cunhas de ferro ),  assim como da génese da sua formação geológica e composição.

Pedra de calcário, da qual se fazia a cal
Sobre estas grutas refere Gaspar Fructuoso, que “Na rocha dura, se tira pedra de que se faz muita cal na terra, a qual não há em nenhuma das outras ilhas dos Açores (...). Tiram-se dali, na mesma pedreira, pedras de mós, de mármore, e entre algumas destas pedras se acham pegadas cascas de mariscos, e ameijoas e ostras...”.

O calcário mariense, resultante de rochas sedimentares com idades que podem superar 5 MA,  é de facto singular no contexto açoriano,  tratando-se, na realidade de material carbonatado e bioclástico, contendo milhares de fósseis de diversas espécies (algumas já extintas), que tem merecido a atenção de aturados estudos científicos.

Manuel Leandres Bairos
As pedras de calcário, cuja extração destas  grutas presenciei, até ao início da década de 70, com o acompanhamento do meu tio Manuel Leandres Bairos (último capataz dessa exploração na ilha) e dos Senhores António Araújo e José Fontes, eram transportadas nos “seirões de vimes” colocados no dorso dos cavalos e burros, até aos lugares do Touril e Carreira. Ficavam aí amontoadas até atingir volume suficiente para duas ou três “fornadas”, para depois se fazer o transporte das mesmas, em carros de bois, até aos lugares dos fornos de cal, derivando desse processo a denominação toponímica do lugar da “Carreira”.

Algumas destas pedras eram sujeitas ao “cozimento” no forno do Figueiral e do Touril (aqui já não me lembro) e nos fornos do Monteiro, Graça e Farroupo. Este último era pertença do Senhor Antonino de Jorge, para quem trabalhei em criança, nomeadamente no transporte de calcário, cozimento e posterior “peneiramento” da cal.

Forno de cal do Touril
Na preparação do processo de “cozimento” do calcário, exigia mãos hábeis, como as do meu tio Manuel Leandres, na construção de uma parede com as pedras a encostar ao contorno circular do forno, até acima da sua metade, fechando-se a mesma em cúpula ovóide, com um fecho ternimal (fechal) semi-aberto, a “modes” de sair o fumo, como dizia o meu familiar. Depois de efetivada esta estrutura, era enfiar lenha pela porta do forno, em abundância, e deixá-la queimar durante três dias e três noites ininterruptamente, a fim da pedra “ficar mais macia e quebradiça”, no dizer de Manuel Leandres.

Pelo volume de madeira necessário a este processo, depreende-se a preferência da localização do fornos de cal, na proximidade de matas.

Alunos do CADEP-CN caiam um casa de branco, no processo antigo
e promovem as cores tradicionais das "Vistas das casas" (1990)
No dia seguinte, após o arrefecimento das pedras, operava-se o seu desmonte do interior do forno, e transportavam-nas para um lugar resguardado da chuva (normalmente palheiros). Aqui alguma dela era peneirada, para quem a preferia comparar em pó e outra era vendida mesmo em pedra, que depois de “derregada” em água servia para caiar de alvo as belas casas rurais marienses, utilizando-se como “pincel” o bracéu-da-rocha (Festuca Petraea).

Como nos diz Jaime de Figueiredo, no livro “Ilha de Gonçalo Velho”, “a casa rural mariense é pequena, de linhas simples, de andar térreo, embora muito caiada e airosa”, tendo havido mesmo uma postura antida que obrigava os marienses a caiarem as suas casas de branco, para as tornar mais belas, fazendo valer a existência de cal na ilha.” Tal desiderato também, defendo, atualmente, para Sta Maria, através de posturas municipais (incorporadas ou não no necessário Plano de Salvaguarda da Casa Rural Mariense), pois já vemos muitas aberrações de casas pintadas de outras cores, o que atenta contra o património e agride a magnânime paisagem rural mariense.

Emanuel ex-membro do CADEP-CN
representa um caiador antigo (1998))
Voltando à cal, ressalte-se, ainda que ela constituiu uma importante fonte de receita para o Município da ilha, tendo sido exportados muito moios dela para as outras ilhas dos Açores, nomeadamente para S.Miguel, através dos “Barcos da Vila”. Assim se refere Gaspar Frictuoso à importância económica da cal e ao comércio da mesma. “ A ilha em também pedra de cal, e vale a seiscentos réis o moio, pelo preço mais caro.”

“Lá vai o Sto António
Mais a Senhora da Guia
Levar  para S.Miguel
Barro e cal de Sta Maria”.

A “Rota da Cal”, é um desafio que lançamos à Câmara Municipal e particularmente à junta de Freguesia de Almagreira, para a levar adiante, com a nossa colaboração na conceção e textos, devendo começar-se com a urgente recuperação dos Fornos de cal, que se degradam de ano para ano. Para além do valor intrínseco da manutenção valorização do nosso matrimónio e preservação da memória coletiva do nosso povo, a atratividade  turística de Sta Maria está naquilo que tem de original, de único e diferente, sendo o processo associado à exploração e utilização da cal, uma dessas importantes diferenças.

"Povo que despreza os marcos da sua história e não honra e respeita a sua memória coletiva, está condenado a perder a sua alma e identidade e não será mais do que uma cópia, no futuro”.  (J.Melo)

* José Andrade Melo
   CADEP-CN e Amigos dos Açores Sta Maria
   Coordenador do Núcleo de Pedestrianismo e Ambiente do Gonçalo Velho



8 de fevereiro de 2014

MARCOS HISTÓRICOS DA OLARIA MARIENSE DESPREZADOS-AQUI VAI UM EXEMPLO A SEGUIR!

UM EXEMPLO QUE ENVERGONHA SANTA MARIA!
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“É vergonhoso que não se tenha uma olaria tradicional e os fornos de loiça/telha a cair aos bocados na terra mãe da olaria dos Açores”
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A luta pela valorização/revitalização desta atividade que está ligada às entranhas geológicas de Sta Maria, assim como às vivências etnográficas e sócio-económicas do seu povo, vem de anos, devendo envergonhar os decisores políticos locais pelo ostracismo e desprezo a que tem votado esta singularidade patrimonial mariense, invertendo prioridades de investimento na cultura. 

Sinto-me triste e desapontado como mariense  e amante de Sta Maria, porque "povo que não acautela a sua memória coletiva e seiva ancestral da sua identidade, está condenado a perder a sua "alma".
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Ver fotos de um bom exemplo que nos vem de fora de preservação e revitalização da olaria, em: 


A ILHA DE SANTA MARIA: HISTÓRIA E MEMÓRIAS

DESCOBERTA, GRANDEZAS, RIQUEZAS E DRAMAS DA "ILHA PRIMEIRA" DOS AÇORES

Uma historiografia da história da ilha iniciar-se-á necessariamente pela obra "Saudades da Terra", do padre Gaspar Frutuoso (1522-1591). O manuscrito, escrito entre 1586 e 1590, divide-se em seis volumes, e inscreve-se numa história mais ampla, a da região que hoje referimos como Macaronésia, numa dimensão atlântica. A ilha de Santa Maria é abordada no Livro III.

Na era Moderna, destacam-se o "Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores", de frei Diogo das Chagas (1584-1661), as "Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores", de frei Agostinho de Monte Alverne (1629-1726), e a "História Insulana das Ilhas a Portugal Sujeitas no Oceano Ocidental", do padre António Cordeiro (1641-1722).

No século XIX, nomeadamente com o advento do Liberalismo, renovam-se os estudos sobre o tema, destacando-se a "Corografia Açórica" (1822), de João Soares de Albergaria de Sousa (1776-1875). Este período é marcado ainda pela recolha de textos e documentos, como por exemplo a "Coleção de Variedades Açorianas", de José de Torres (1827-1874), do "Arquivo dos Açores", por Ernesto do Canto, e as "Escavações", de Francisco Maria Supico.

No século XX destacam-se a publicação da "Colecção de documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores", com prefácio de Manuel Monteiro Velho Arruda, em edição comemorativa do V Centenário do Descobrimento dos Açores (1432-1932), e da "Descripção da Ilha de Sancta Maria por José Carlos de Figueiredo, Tenente Coronel d'Engenheiros, que em 1815 ali foi em Comissão" na revista Insulana, em 1960.

De uma forma geral, a pesquisa histórica para a ilha é dificultada pela ausência de fontes documentais, nomeadamente para os séculos XVII e XVIII, espalhadas por arquivos fora da ilha ou mesmo perdidas devido a fatores históricos, ambientais, ou mesmo destruição deliberada. Revestem-se assim, de maior relevância, outras fontes como as patrimoniais, arqueológicas e linguísticas.

A descoberta, denominação e povoamento inicial da ilha



Embora em termos de historiografia se admita hoje a data do descobrimento do arquipélago dos Açores por Diogo de Silves em 1427, o cronista Diogo Gomes de Sintra em 1460 referiu a ilha simplesmente como Ilha de Gonçalo Velho:


"A mais chegada ylha dos Açores se chama Sancta Maria he ylha pequena e redonda. E tem huas baixas quasi em meo que se chamõ as Formigas por q sõ oyto bicos penedos sobre agoa.
Jaz esta ylha norte sull cõ a ylha de Sã Miguel e ha no traues 12 legoas e as Formigas quasi no meo.
Anno de 1444 mãdou ho Iffãte Dom Anrrique por capitã huu caualleyro chamado Gonçalo Velho comêdador da Ordê de Christus a pouorar esta ylha e outras, e pos a esta seu nome. s. ylha de Gonçalo Velho e despois da sua morte lhe poserõ nome ylha de Sancta Maria. Este capitã lançou nella porcos e vacas e ouelhas e cabras. E viueo nesta ylha alguns ãnos."

RECUPERAÇÃO DE LOIÇA DA OLARIA MARIENSE E A FIGURA DO “FURA-PENICOS”

RECORDANDO O MESTRE JOSÉ TAVARES RESENDES E ALERTA PARA A PRESERVAÇÃO DO PATRIMÓNIO DA OLARIA MARIENSE
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Mestre José Resendes (Fotolinda)
In: Memórias e Lembranças de Sta Maria
Não num passado muito longínquo, pois bem o lembro, ainda na minha infância, quando alguma peça utilitária da olaria mariense era quebrada,  a mesma era recuperada, se tal fosse possível. 
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Depois dos acidentes muito lamentados pelas famílias, para se evitar a compra de outra peça nova, pois o dinheiro era muito escasso, a esperança estava no recuperador de loiça, que logo era chamado para o “socorro”. 

Um desses recuperadores de loiça mais conhecidos, e ainda presente na memória coletiva recente de muitos marienses, era o Senhor José Tavares Resendes, conhecido pela alcunha de “Fura-penicos, que ainda o conheci bem, na minha infância e adolescência. Falecido em 1986, era uma figura muito popular, jovial e divertida que circulava em Vila do Porto, S.Pedro e Almagreira à cata de “loiça partida”, fazendo-se anunciar com um apito, como se as suas gargalhadas bem dispostas e voz forte, que se ouviam ao longe, não bastassem.
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"Gatos" colocados pelo Mestre José Resendes
Quando solicitado par algum serviço, parava a sua bicicleta transformada em oficina-ambulante;  avaliava a peça partida; juntava os cacos partidos como se de um puzzle se tratasse, e ligava-as com os milagrosos “gatos”, evitando assim que a família fosse à olaria, nos próximos tempos, para substituir a peça. 
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Quando o canado, o alguidar, o talhão, a salga, ou outro qualquer utensílio fora só rachado, o serviço era mais facilitado, mas quando se partia em cacos, a tarefa era bem mais complicada, exigindo grande mestria para salvá-la. 
Talhão de Sta Maria recuperado
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No processo de ligação dos cacos, mestre José Resendes, abria um furo nas extremidades de cada um deles, com recurso ao seu “pião furador”, que era movido por um curioso sistema mecânico de cordel, que lhe imprimia um movimento rotativo de retorno, ora para a direita, ora para a esquerda. Abertos os furos, enfiava neles com pressão e mestria as pontas pontiagudas de uma peça de metal, em forma de “U”, (conhecida por “gato”), fazendo assim o ajuste dos cacos um ao outro. 
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Ironicamente, o Mestre José Tavares Resendes o que menos recuperava eram penicos, pois, a colocação dos “gatos” não impedia cabalmente a saída de líquido pelas rachadelas do barro, daí serem praticamente todos substituídos por peças novas quando se quebravam. No entanto, quiseram os marienses que ficasse perpetuado com a alcunha de “Fura-penicos”, na memória coletiva ligado à olaria mariense, nome que não repudiava, em virtude do seu bom humor. 
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"Canado" recuperado pelo Mestre José Resendes
Aqui fica a minha homenagem e gratidão a esta histórica figura popular de Sta Maria, que algumas vezes me deixou dar voltas ao seu “pião” (quão apetecido que era aquele brinquedo), e me ofereceu uma réplica rudimentar feita pelas suas mãos, que contribuiu para as delícias da minha infância.  
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O “pião-furador” do Mestre Resendes, que para ele era uma preciosidade, pela associação que tem à olaria mariense, deveria ser presença no nosso museu de ilha. 

Que saibam preservar/recuperar as entidades da nossa terra, os marcos históricos da Olaria (oficina tradicional de oleiro, fornos de loiça/telha, ferramentas/utensílios), e se avance para a concretização da “Rota do Barro de Sta Maria”, que o CADEP-CN, há muito tem defendido. 
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"Povo que despreza os marcos da sua história e não honra e respeita a sua memória coletiva, está condenado a perder a sua alma e identidade, não sendo mais do que uma cópia, no futuro”.  (J.Melo) 
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* José Andrade Melo
  CADEP-CN (Clube dos Amigos e Defensores do Património-cultural e Natural de Sta Maria)

23 de janeiro de 2014

"ILHAS DE BRUMA"-TOCADA PELA 1º VEZ NA "MARÉ DE AGOSTO"-1984

 “Ilhas de Bruma”
a canção mais emblemática dos Açores

O músico e compositor Manuel Medeiros Ferreira morreu na ilha de São Miguel, nos Açores, aos 63 anos, a 3 de janeiro, de 2014.

Em março de 2013, Manuel Medeiros Ferreira disse, em entrevista à Lusa, que a maior homenagem que lhe podiam prestar era continuarem a divulgar e a cantar a sua música, escrita há 31 anos, revelando que se emocionava sempre que via o público cantarolar a letra de um tema que se tornou "emblemático para todos os açorianos".


A canção, que levou dois meses a escrever e a aperfeiçoar, foi tocada em público pela primeira vez na primeira edição do Festival Maré de Agosto, que decorre na ilha de Santa Maria desde 1984, mas o sucesso popular chegou verdadeiramente quando a RTP/Açores aproveitou o tema para algumas das suas séries mais emblemáticas na década de 80, do século passado. 
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1 de dezembro de 2013

TRADIÇÃO DO NATAL COM CENTRALIDADE EM JESUS

No meu tempo de infância, sem dúvida que em torno do Presépio inspira-se o cheiro do Natal e “o verdadeiro espírito natalício”. Naquela altura, no Presépio pontificavam os pratos com trigo, a que minha avó Angelina chamava de “relvões”, imitando pastos verdes, musgo, rochas, água, miniaturas de pessoas e animais em barro, dando vida ao ambiente físico recriado, até às imagens na gruta (Menino , Maria, José, vaca, burro, cordeirinhos, Reis Magos...Tempo de muito artesanato, criatividade e imaginação, mas sempre à volta de uma matriz tradicional centrada em Jesus Cristo. Para alumiar e aquecer os gostos: as velas, as candeias, o milho e as favas torradas,  licores tradicionais divinais de tangerina, amora... e o vinho abafado, com o doce acompanhamento dos  figos passados, dos nossos biscoitos de orelha e de aguardente, júlias, cavacas... e já algumas das iguarias mais recentes.
Naquele tempo, com mais ou menos comida e prendas, o Natal sempre foi tempo de dar centralidade a Jesus, de união familiar e de se aquietar a maldade e de exercitar a bondade...Deve continuar a ser assim, pela força da mensagem que Jesus veio trazer, da tradição mais pura e, numa dimensão menos genuína, mas real, do comércio, ou seja, da luta incessante entre o “ser, o estar” e o “ter”...
Não deixemos que o Natal deixe ser dominado pelos pais natais de apelo aos valores terrenos e levianos do consumismo,  secundarizando o Aniversariante Jesus e os “valores da salvação” que nos trouxe.

27 de novembro de 2013

SANTA MARIA - CURIOSIDADES HISTÓRICAS


DA ANTIGUIDADE À MODERNIDADE
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Uma historiografia dos tempos mais remotos da ilha de Santa Maria iniciar-se-á necessariamente pela obra "Saudades da Terra", do padre Gaspar Frutuoso (1522-1591). O manuscrito, escrito entre 1586 e 1590, divide-se em seis volumes, e inscreve-se numa história mais ampla, a da região que hoje referimos como Macaronésia, numa dimensão atlântica. A ilha de Santa Maria é abordada no Livro III.
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Na era Moderna, destacam-se o "Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores", de frei Diogo das Chagas (1584-1661), as "Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores", de frei Agostinho de Monte Alverne (1629-1726), e a "História Insulana das Ilhas a Portugal Sujeitas no Oceano Ocidental", do padre António Cordeiro (1641-1722).