DESCOBERTA, GRANDEZAS, RIQUEZAS E DRAMAS DA "ILHA PRIMEIRA" DOS AÇORES
Uma historiografia da história da ilha iniciar-se-á necessariamente pela obra "Saudades da Terra", do padre Gaspar Frutuoso (1522-1591). O manuscrito, escrito entre 1586 e 1590, divide-se em seis volumes, e inscreve-se numa história mais ampla, a da região que hoje referimos como Macaronésia, numa dimensão atlântica. A ilha de Santa Maria é abordada no Livro III.
Na era Moderna, destacam-se o "Espelho Cristalino em Jardim de Várias Flores", de frei Diogo das Chagas (1584-1661), as "Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores", de frei Agostinho de Monte Alverne (1629-1726), e a "História Insulana das Ilhas a Portugal Sujeitas no Oceano Ocidental", do padre António Cordeiro (1641-1722).
No século XIX, nomeadamente com o advento do Liberalismo, renovam-se os estudos sobre o tema, destacando-se a "Corografia Açórica" (1822), de João Soares de Albergaria de Sousa (1776-1875). Este período é marcado ainda pela recolha de textos e documentos, como por exemplo a "Coleção de Variedades Açorianas", de José de Torres (1827-1874), do "Arquivo dos Açores", por Ernesto do Canto, e as "Escavações", de Francisco Maria Supico.
No século XX destacam-se a publicação da "Colecção de documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores", com prefácio de Manuel Monteiro Velho Arruda, em edição comemorativa do V Centenário do Descobrimento dos Açores (1432-1932), e da "Descripção da Ilha de Sancta Maria por José Carlos de Figueiredo, Tenente Coronel d'Engenheiros, que em 1815 ali foi em Comissão" na revista Insulana, em 1960.
De uma forma geral, a pesquisa histórica para a ilha é dificultada pela ausência de fontes documentais, nomeadamente para os séculos XVII e XVIII, espalhadas por arquivos fora da ilha ou mesmo perdidas devido a fatores históricos, ambientais, ou mesmo destruição deliberada. Revestem-se assim, de maior relevância, outras fontes como as patrimoniais, arqueológicas e linguísticas.
A descoberta, denominação e povoamento inicial da ilha
Embora em termos de historiografia se admita hoje a data do descobrimento do arquipélago dos Açores por Diogo de Silves em 1427, o cronista Diogo Gomes de Sintra em 1460 referiu a ilha simplesmente como Ilha de Gonçalo Velho:
- "A mais chegada ylha dos Açores se chama Sancta Maria he ylha pequena e redonda. E tem huas baixas quasi em meo que se chamõ as Formigas por q sõ oyto bicos penedos sobre agoa.
- Jaz esta ylha norte sull cõ a ylha de Sã Miguel e ha no traues 12 legoas e as Formigas quasi no meo.
- Anno de 1444 mãdou ho Iffãte Dom Anrrique por capitã huu caualleyro chamado Gonçalo Velho comêdador da Ordê de Christus a pouorar esta ylha e outras, e pos a esta seu nome. s. ylha de Gonçalo Velho e despois da sua morte lhe poserõ nome ylha de Sancta Maria. Este capitã lançou nella porcos e vacas e ouelhas e cabras. E viueo nesta ylha alguns ãnos."








