Bem vindo(a) ao NaturMariense

Convidamo-lo(a) a ler, participar e juntar-se às causas defendidas pelo CADEP-CN e pelos Amigos dos Açores, em Santa Maria.

Escreva, dê ideias e denuncie situações: cadep.cn@gmail.com ou santamaria@amigosdosacores.pt


17 de fevereiro de 2014

VERDADEIROS IRMÃOS NA CAMINHADA TERRENA

 “Tendo todas as criaturas (humanas e não humanas) a mesma origem, comprovadas  homologias, coabitação comum no espaço do planeta Terra e duração de vida efémera, só poderão ser considerados “irmãos”,  aqueles que respeitam todo esse “próximo”, sem infernizar pessoas nem animais.” 
 (J.Melo-CADEP-CN)
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P.Pedestre renovado:“FÁTIMA-B.RAPOSO-B.FANECA-PILAR-SARAMAGO-S.PEDRO”

Chegamos molhados(as) mas muito consolados(as)!:)
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 Um trilho muito apreciado mesmo para quem chegou molhado(a), e com alguma lama no calçado, que foram todos(as)!:)
Apesar da chuva e da lama, na parte final,  foi uma aventura bem conseguida e admirada pelos 36 simpáticos(as) pedestrianistas, participantes, tendo os(as) mesmos (as) percorrido alguns trilhos antigos, por onde a maioria deles(as) nunca tinha passado.
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Numa organização conjunta do NPA do Gonçalo Velho, do CADEP-CN e Amigos dos Açores Sta Maria teve lugar hoje (16 de fevereiro), a 4ª atividade da II Temporada do Projeto:”Pedestrianismo e Ambiente de Mãos Dadas”, durante o qual foram percorridos/explorados novos trilhos tradicionais e fruidos/interpretados diversos aspetos do património natural de cultural, com o acompanhamento do guia especializado do Projeto. O itinerário incluiu, na sua parte intermédia, frações do P.Pedestre homologado da Costa Norte, mas o seu início, e grande parte do seu final, foram totalmente novos, percorrendo-se caminhos antigos e alguns trilhos, redescobertos pelo CADEP-CN e que não fazem parte de nenhum P.Pedestre instituido.
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As centralidades (pontos de interesse) que tiveram apresentações/explicações mais aprofundadas pelo guia foram as Ermidas de Fátima e dos Milagres, as paisagens da Baía do Raposo, Barreiro da Faneca, Ponta do Pinheiro, Paúl e do centro de S.Pedro, flora endémica, aspetos geomorfológicos, avifauna (estrelinha-de-sta-Maria), araucárias imponentes, palheiros e casas tradicionais, relevando-se também as magníficas obras em talha e outras aplicações com a pedra da Cré, existentes na Ermida do Pilar e Igreja de S.Pedro.
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 Informações sobre o P.Pedestre:
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Conceção: CADEP-CN de Sta Maria
Denominação não oficial: “Fátima-B.Raposo-Barreiro da Faneca-Pilar-S.Pedro”.
Distância: 8,9 km, aproximadamente
Duração: 3h 30m, aproximadamente
Relevo:Terrenos planos e com ondulações suaves
Grau de dificuldade: Médio
Áreas especiais: Paisagem protegida do Barreiro da Faneca e Costa Norte
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Um enaltecimento e agradecimento  especiais à participação do simpático grupo pedestrianista, tendo o bom humor a gentileza, o são convívio e o vivo interesse pelas explicações do guia sido constantes, não obstante o mau tempo que se fez sentir na última meia hora do percurso.
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-- Chegamos molhados(as) mas muito consolados(as)!
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Nota: Estas atividades pedestrianistas, de fruição patrimonial e promoção da saúde estão inseridas na Campanha Bandeira Azul da Europa, para as zonas balneares de Sta Maria, à ligação parceira do CADEP-CN com o Parque Natural de Ilha e, ainda, ao Projeto de Saúde Escolar e Comunitária.
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* José Andrade Melo
   CADEP-CN e Amigos dos Açores Sta Maria
   Coordenador do Núcleo de Pedestrianismo e Ambiente do Gonçalo Velho

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15 de fevereiro de 2014

A PIMENTA - "ALIMENTO FUNCIONAL"

 Nome comum: Pimenta, Pimenta-da-terra (Açores), Pimenta Malagueta, "piri-piri"
Pimenta-da-terra

Nome científico: Capsicum annuum (variedades menos picantes) e Capsicum frutescens (variedades mais picantes)

 Quem utiliza a pimenta no dia-a-dia está beneficiando, além do tradicional tempero, de uma série de medicamentos naturais: analgésico, anti-inflamatório, vitaminas, benefícios que os povos primitivos descobriram há milhares de anos, e que agora estão sendo comprovados pela ciência.

A pimenta faz bem à saúde e o seu consumo é essencial para quem tem enxaqueca. Essa afirmação pode cair como uma surpresa para muitas pessoas que, até hoje, acham que o condimento picante deve ser evitado.  A pimenta traz consigo alguns mitos, como por exemplo o de que provoca gastrite, úlcera, pressão alta e até hemorróidas.  Nada disso é verdade.  Por incrível que pareça, as pesquisas científicas mostram justamente o oposto!  A substância química que dá à pimenta o seu caráter picante é exatamente aquela que possui as propriedades benéficas à saúde.

11 de fevereiro de 2014

LABORATÓRIO DE ORNITOLOGIA DOS AÇORES

INFORMAÇÃO E CONVITE DA CIBIO QUE MUITO APRECIO

Caros amigos,
 
 Este é o email do Laboratório de Ornitologia dos Açores, que foi recentemente criado, estando integrado no CIBIO-Açores do Departamento de Biologia da Universidade dos Açores. O LOA tem como objectivo principal dinamizar e desenvolver acções de carácter cientifico e pedagógico que envolvam os Açores e a sua avifauna.

Convido-vos a darem uma vista de olhos na nossa página na internet em:


Estrelinha-de-Santa Maria
Já temos alguns colaboradores externos, e espero ter-vos como colaboradores em futuras actividades, tais como projectos, saídas de campo, anilhagens, palestras, etc.

Espero que o LOA seja a aproximação entre a ciência feita nos Açores, nomeadamente na área da ornitologia, e as entidades públicas e privadas da região.

Abraços,

Pedro Rodrigues
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Laboratório de Ornitologia dos Açores
CIBIO, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos,
InBIO Laboratório Associado,

10 de fevereiro de 2014

POR QUE DEFENDO E RELEVO A "ESTRELINHA-DE-SANTA MARIA” COM TANTO EMPENHO?

 Porque é exclusiva da ilha, pela necessidade de proteção, pela sua atratividade ornitológica e turística e pela sua importância para a biodiversidade de Sta Maria e dos Açores.
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 Aqui vai mais um texto recente, que é comprovativo da sua singularidade e do merecimento da atenção, que o CADEP-CN lhe reclama, há muito, tendo-a destacado como "Ave do Ano-2012", nos Açores.
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 Characterization of suitable habitats to preserve 
Santa Maria's goldcrest
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 The Santa Maria's goldcrest (Regulus regulus sanctaemariae) is the unique endemic bird subspecies from Santa Maria Island (Azores) and displays the IUCN status of Critically Endangered due to the reduced land area of the island and the fragmentation of their natural habitats. However, there are no detailed studies on its relative abundance and ecology. This project aims to extend the knowledge about the diversity of breeding passerines in Santa Maria island, and in particular the distribution and relative abundance of this subspecies along its natural habitats.

 Foto de José Melo e texto de The Azorean Lab of Ornithology

P.PEDESTRE "VILA DO PORTO-MALMERENDO-RIBEIRA SECA-AEROPORTO"

 “PEDESTRIANISMO E AMBIENTE DE MÃOS DADAS”
ACABAMOS O ANO EM BELEZA COM UM PERCURSO NA NATUREZA  


Não obstante ter sido na Época Natalícia, durante a qual as pessoas estão mais “caseiras”, o Projeto “Pedestrianismo e Ambiente de Mãos Dadas”, que promove uma Percurso Pedestre guiada, todos os meses em Sta Maria, foi adiante no cumprimento do plano de atividades, testando no dia 28 de dezembro, pela 2º vez, o novo traçado do Percurso pedestre “V.Porto-P.Malmerendo-ZPE Ilhéu da Vila e Costa Adjacente-R.Seca-P.Poção-Aeroporto”, pretendendo-se que, depois de classificado, constitua, mais uma oferta de excelência,  ligada ao turismo de natureza.

O Projeto “Pedestrianismo e Ambiente de Mãos Dadas”, que já vai na 2ª atividade da II temporada, é resultante de uma parceria entre o CADEP-CN, Amigos dos Açores Sta Maria e o Grupo Desportivo Gonçalo Velho que, assumindo uma nova linha de dinâmica e abrangência desportiva, criou o “Núcleo de Pedestrianismo e Ambiente” (NPA), que visa a prática desportiva aliada à promoção da saúde e qualidade de vida, através do “benéfico caminhar”, associados à “fruição do património natural e cultural” e do “são convívio”.

É um desafio aos marienses para “deixarem o sofá” e porem o “corpo a mexer” aos domingos de manhã (e algumas vezes aos sábados) através de um desporto não competitivo, muito democrático e barato (Pedestrianismo), não necessitando de equipamentos sofisticados e permitindo que se conviva presencialmente, ao longo de caminhadas descontraidas, abrangendo todas as idades, ambos os sexos e nas quais os ritmos das pessoas são respeitados.

Os percursos pedestres são todos guiados pelo coordenador do NPA, com formação de Guia de Percursos Interpretativos na Natureza, havendo explicações simples e interpretativas sobre as riquezas e belezas faunísticas, florísticas, geomorfológicas e do património edificado constante dos itinerários, o que constitui uma imperdível oportunidade de ligar o lazer ao melhor conhecimento das riquezas naturais e patrimoniais de Santa Maria, que se inserem nos perímentos do nosso Parque Natural de Ilha e fora deles.

Tal como na I Temporada, vão ser realizados 1 a 2 percursos mensais, percorrendo-se os 5 PRs instituidos, os dois novos que o CADEP-CN concebeu no ano passado e outros dois que serão criados em parceria com as juntas de freguesisa de Sta Bárbara e Sto Espírito (“Lagos-Tagarete-Lagoínhas” e “Parque das Fontinhas-Casas Velhas-Farroupo-Praia Formosa”.

Recordamos que o Pedestrianismo é uma modalidade desportiva não competitiva, ligada à Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, tendo associada à sua prática, de forma muito intrincada, a promoção da saúde, o lazer e o turismo, assim como a fruição, valorização e a conservação da natureza e do património, daí a parceria entre o G.D.Gonçalo Velho e o CADEP-CN, assentarem como uma luva, na congregação de objetivos.

 CARACTERIZAÇÃO E CENTRALIDADES DO NOVO ITINERÁRIO

Tem uma distância/duração aproximadas: 6 Km/3h; Grau de dificuldade: fácil; Relevo: predominantemente plano, com ligeiros declives; Áreas naturais especiais: ZPE do Ilhéu da Vila e Costa Adjacente (Rede Natura 2000); Património urbano classificado: “Convento dos Franciscanos” e ZH de Vila do Porto.
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Como centralidades apresenta: Património histórico, Apreciação panorâmica da Zona Histórica de Vila do Porto; visualização superior do porto e marina; aspetos geomorfológicos (Pedreira do Anal, filões basálticos...); plantas aromáticas; litoral da Ponta do Malmerendo e seu farolim; observação e interpretação da ZPE (Zona de Proteção Especial) do Ilhéu da Vila e Costa Adjacente; observação de aves marinhas, migratórias e residentes; vegetação costeira, Ribeira Seca, arriba da Ponta do Poção e topo sudoeste do Aeroporto, onde se podem observar as pistas de aviação e alguns marcos históricos da presença americana em Sta Maria.

O itinerário teve o seu início no Jardim Municipal, onde foi dado enfoque ao antigo Convento dos Franciscanos (imóvel classificado) e ao Padrão dos Descobrimentos.

VITÓRIA DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS NA ASSEMBLEIA REGIONAL DOS AÇORES

 UM SALTO CIVILIZACIONAL QUE MERECE ENALTECIMENTO

Depois da Assembleia da República ter aprovado, no dia 6 de dezembro, dois projetos de lei do PSD e do PS, criminalizando os maus-tratos a animais com cadeia, o Parlamento dos Açores aprovou, no dia 10 de dezembro, uma proposta de Resolução, apresentada pelo BE, de teor muito importante para o respeito dos animais nos Centros de Recolha Oficiais (vulgo canis/gatis) e seu controlo populacional através da esterilização/castração e promoção de adoções, em detrimento dos cruéis abates.

O Parlamento recomenda ainda ao Governo Regional a dinamização dos processos de licenciamento dos centros de recolha oficiais, exigindo as condições logísticas e infra-estruturais adequadas, a promoção de campanhas de sensibilização públicas contra o abandono e pela adopção responsável,  assim como as necessárias correcções das falhas existentes ao nível dos Sistemas de Identificação de Canídeos e Felídeos (SICAFE).

Dando atenção ao Parecr do CADEP-CN, e na decorrência de conversa pessoal com a Deputada Zuraida Soares, o BE, fez uma alteração à Proposta de Resolução inicial, que também foi aprovada, para dar atendimento à solicitação que expressamos nos seguintes termos:
No desiderato acima aludido e na educação/sensibilização públicas para o bem-estar animal, combate aos abandonos e defesa dos seus direitos consagrados na DUDA, não se compreende a total omissão de ações por parte dos Serviços de Ambiente de Ilha/Ecotecas, uma vez que se tratam de atitudes de cidadania de âmbito ecológico e de respeito/proteção de seres vivos. Esta é mais uma recomendação que defendemos como um ponto importante a acrescentar ao Projeto de Resolução nº 43/X – “Promoção do Bem-Estar Animal e Controlo das Populações de Animais Errantes”, que consideramos ser fundamental a sua aprovação, a bem dos animais e dos Açores.”


Embora todas as recomendações emanadas da ALRA sejam para nós fundamentais, pois também constaram do Parecer do CADEP-CN, relevamos em termos de ética e eficácia, a recomendação de promover o bem-estar e respeito pela vida dos animais de companhia,  fazendo-se o controle das populações errantes, através da esterilização, abolindo-se a  actual e condenável política de abate de animais saudáveis, seguida pelos canis com gestão mais retrógrada.

A aplicação deste novo paradigma atitudinal, é sem dúvida um salto civilizacional nos Açores, que deve honrar a nossa região e o “Povo Açoriano”.

P.PEDESTRE RENOVADO “V.PORTO-FIGUEIRAL- MOINHO DA ROCHA-GRAÇA” E “ROTA DA CAL”

o grupo de pedestrianistas participantes
No cumprimento do Projeto:”Pedestrianismo e Ambiente de Mãos Dadas”, e numa organização conjunta do NPA do Gonçalo Velho, do CADEP-CN e Amigos dos Açores Sta Maria, foi testado o Percurso Pedestre acima referenciado, percorrido quase na totalidade na Freguesia de Almagreira, o qual inclui uma proposta de “Rota da Cal”, que aqui deixo às entidades competentes, disponibilizando a colaboração do Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural de Sta Maria.

A primeira parte do percurso coincidiu com o Trilho da Costa Sul, desde Vila do Porto até ao Touril, sendo a segunda parte totalmente nova com a derivação para o lugar do Brasil, prosseguingo-se por trilhos antigos, redescobertos pelo CADEP-CN, nos lugares da Carreira, Vale do Moinho da Rocha, terminando-se na Graça.

Forno de cal do Touril
Para além dos singulares fósseis e “pillow lavas”, neste P.Pedestre foi dado um enfoque especial ao “Roteiro da Cal”, tendo o guia explicado a sua exploração desde a  extração do calcário nas grutas do Figueiral, até ao seu “cozimento” e transformação nos três fornos de cal visitados no decorrer do itinerário (fornos do Figueiral, do Touril e da Graça), todos eles com muances arquitetónicas interessantes.

Outros pontos de interesse apresentados/explicados pelo guia foram a Zona Histórica de Vila do Porto, Forte de S.Brás, Ribeira de S.Francisco, Vista do Povoado de V.Porto, Pedreira do Campo, Grutas do Figueiral, Prainha (Pillow lavas, fósseis), plantas endémicas e medicinais, avifauna, panorâmicas do litoral da Costa Sul, Carreira e Vale do Moinho da Rocha, com a Ribeira, casas rurais e chafariz.

Informações sobre o P.Pedestre:

Conceção: CADEP-CN, em 1999/2000,e nova nuance em janeiro de 2014
José Lima-último habitante
do Moinho da Rocha
Denominação não oficial: “Vila do Porto-Figueiral-Carreira-Moinho da Rocha-Graça”.
Distância: 7 km, aproximadamente
Duração: 3h 30m, aproximadamente
Relevo:Terreno com ondulações suaves e alguns declives mais acentuados
Grau de dificuldade: Médio
Áreas especiais: Monumento Natural da Pedreira do Campo, Figueiral e Prainha

Os pedestrianistas deliciaram-se com as novidades introduzidas neste P.Pedestre, nomeadamente com a visitação mais aprofundada dos fornos de cal e a bonita paisagem do pitoresco vale do Moinho da Rocha, merecendo grande apreciação a sua magnífica ribeira, as casas rurais e o seu chafariz, recentemente pintado de novo pela Junta de Freguesia de Almagreira.

“NATAL SOLIDÁRIO COM OS ANIMAIS DO CAMAC” VOLTOU A SER UM SUCESSO

ENALTECIMENTO E VIVO AGRADECIMENTO AOS DOADORES DE RAÇÕES E COBERTORES
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 No âmbito da parceria colaborativa entre o CADEP-CN, representação local dos Amigos dos Açores e o CAMAC de Vila do Porto (Centro de Acolhimento Municipal de Animais de Companhia), estas organizações de defesa ambiental e do bem-estar animal, promoveram pela, terceira vez, a Campanha de Natal de doação de rações, cobertores e toalhas dirigida à população em geral.

A Campanha “Natal Solidário para com os Animais do CAMAC”, decorreu no período entre 6 de dezembro e 6 de janeiro, tendo sido doados 15 sacos de ração (230 kg), que “oficialmente” foram entregues  ao CAMAC, no dia 13 de janeiro por um grupo de 15 crianças inscritas no CADEP-CN, em nome dos(as) benfeitores(as).

Entrega dos últimos sacos de ração e cobertores doados
No mesmo dia, também foram entregues dois caixotes de cobertores e toalhas para  agasalho dos animais, enxugamento pós-banhos e limpezas pós-operatórias, tendo a Ana Loura e sua filha Ângela dado um importante contributo no apelo à doação destes produtos, o que muito se agradece.

Solidariamente, aderiram à Campanha os(as) cidadãos(ãs) Carla Tojais (importante doadora de cobertores),  Marina Laforge, Cláudia Ferreira, Domingos Barbosa, Tibério Braga, Mafalda Martins, Hugo Carvalho, Mário Fernandes, Pedro Figueiredo, Manuela Lima, José Manuel Botelho, Ana Loura, Sofia Rohena;  as empresas Arara-Loja dos Animais e Centro de Estética Vitória e, ainda, o CADEP-CN, turma dos 1º e 3º anos da Escola de Almagreira e dois anónimos.

Foram também doadas caixas de cobertores e toalhas
A todos(as) eles(as) expressamos um merecido enaltecimento e vivo agradecimento pela sua solidariedade e sensibilidade/compaixão pelos animais, desejando que o nobre ato cívico e generosidade, seja redobrado em retorno de prosperidade nas vossas vidas. Bem hajam e que o vosso exemplo “contamine” positivamente mais cidadãos e empresas, em próximas campanhas.

Aproveitando a ida ao CAMAC para fazer as entregas acima aludidas, os jovens do CADEP-CN,  ainda, realizaram mini-vídeos de apelo à adoção dos animais e um Dog Trekking, com companhamento do dedicado funcionário do CAMAC  Roberto Cordeiro, tendo os cãozinhos passeado nos espaços circundantes, durante uma hora, proporcionando-se felicidade aos animais, que vivem confinados atrás das grades, em consequência dos cruéis abandonos de que foram vítimas.

9 de fevereiro de 2014

A EXPLORAÇÃO DO CALCÁRIO E A “ROTA DA CAL” EM SANTA MARIA

 MAIS UMA PROPOSTA DE TURISMO ECO-CULTURAL
 PARA SANTA MARIA

Grutas do Figueiral, onde até ao fim da década de 60
se extraia calcário com regularidade
A exploração do calcário, para transformação em cal e posterior uso na “caiação” das casas fazia-se essencialmente na Ponta das Salinas em Sto Espírito e, de forma mais intensiva, no Figueiral, em Almagreira, havendo aqui diversas grutas, ao longo da Costa sul advindas da extração das “pedras de cal”, como popularmente eram chamadas.

É precisamente na visitação destas grutas que propomos o começo da “Rota da Cal” de Almagreira, começando-se com a explicação do processo mecânico  de soltar os blocos calcareníticos (força muscular, barras e cunhas de ferro ),  assim como da génese da sua formação geológica e composição.

Pedra de calcário, da qual se fazia a cal
Sobre estas grutas refere Gaspar Fructuoso, que “Na rocha dura, se tira pedra de que se faz muita cal na terra, a qual não há em nenhuma das outras ilhas dos Açores (...). Tiram-se dali, na mesma pedreira, pedras de mós, de mármore, e entre algumas destas pedras se acham pegadas cascas de mariscos, e ameijoas e ostras...”.

O calcário mariense, resultante de rochas sedimentares com idades que podem superar 5 MA,  é de facto singular no contexto açoriano,  tratando-se, na realidade de material carbonatado e bioclástico, contendo milhares de fósseis de diversas espécies (algumas já extintas), que tem merecido a atenção de aturados estudos científicos.

Manuel Leandres Bairos
As pedras de calcário, cuja extração destas  grutas presenciei, até ao início da década de 70, com o acompanhamento do meu tio Manuel Leandres Bairos (último capataz dessa exploração na ilha) e dos Senhores António Araújo e José Fontes, eram transportadas nos “seirões de vimes” colocados no dorso dos cavalos e burros, até aos lugares do Touril e Carreira. Ficavam aí amontoadas até atingir volume suficiente para duas ou três “fornadas”, para depois se fazer o transporte das mesmas, em carros de bois, até aos lugares dos fornos de cal, derivando desse processo a denominação toponímica do lugar da “Carreira”.

Algumas destas pedras eram sujeitas ao “cozimento” no forno do Figueiral e do Touril (aqui já não me lembro) e nos fornos do Monteiro, Graça e Farroupo. Este último era pertença do Senhor Antonino de Jorge, para quem trabalhei em criança, nomeadamente no transporte de calcário, cozimento e posterior “peneiramento” da cal.

Forno de cal do Touril
Na preparação do processo de “cozimento” do calcário, exigia mãos hábeis, como as do meu tio Manuel Leandres, na construção de uma parede com as pedras a encostar ao contorno circular do forno, até acima da sua metade, fechando-se a mesma em cúpula ovóide, com um fecho ternimal (fechal) semi-aberto, a “modes” de sair o fumo, como dizia o meu familiar. Depois de efetivada esta estrutura, era enfiar lenha pela porta do forno, em abundância, e deixá-la queimar durante três dias e três noites ininterruptamente, a fim da pedra “ficar mais macia e quebradiça”, no dizer de Manuel Leandres.

Pelo volume de madeira necessário a este processo, depreende-se a preferência da localização do fornos de cal, na proximidade de matas.

Alunos do CADEP-CN caiam um casa de branco, no processo antigo
e promovem as cores tradicionais das "Vistas das casas" (1990)
No dia seguinte, após o arrefecimento das pedras, operava-se o seu desmonte do interior do forno, e transportavam-nas para um lugar resguardado da chuva (normalmente palheiros). Aqui alguma dela era peneirada, para quem a preferia comparar em pó e outra era vendida mesmo em pedra, que depois de “derregada” em água servia para caiar de alvo as belas casas rurais marienses, utilizando-se como “pincel” o bracéu-da-rocha (Festuca Petraea).

Como nos diz Jaime de Figueiredo, no livro “Ilha de Gonçalo Velho”, “a casa rural mariense é pequena, de linhas simples, de andar térreo, embora muito caiada e airosa”, tendo havido mesmo uma postura antida que obrigava os marienses a caiarem as suas casas de branco, para as tornar mais belas, fazendo valer a existência de cal na ilha.” Tal desiderato também, defendo, atualmente, para Sta Maria, através de posturas municipais (incorporadas ou não no necessário Plano de Salvaguarda da Casa Rural Mariense), pois já vemos muitas aberrações de casas pintadas de outras cores, o que atenta contra o património e agride a magnânime paisagem rural mariense.

Emanuel ex-membro do CADEP-CN
representa um caiador antigo (1998))
Voltando à cal, ressalte-se, ainda que ela constituiu uma importante fonte de receita para o Município da ilha, tendo sido exportados muito moios dela para as outras ilhas dos Açores, nomeadamente para S.Miguel, através dos “Barcos da Vila”. Assim se refere Gaspar Frictuoso à importância económica da cal e ao comércio da mesma. “ A ilha em também pedra de cal, e vale a seiscentos réis o moio, pelo preço mais caro.”

“Lá vai o Sto António
Mais a Senhora da Guia
Levar  para S.Miguel
Barro e cal de Sta Maria”.

A “Rota da Cal”, é um desafio que lançamos à Câmara Municipal e particularmente à junta de Freguesia de Almagreira, para a levar adiante, com a nossa colaboração na conceção e textos, devendo começar-se com a urgente recuperação dos Fornos de cal, que se degradam de ano para ano. Para além do valor intrínseco da manutenção valorização do nosso matrimónio e preservação da memória coletiva do nosso povo, a atratividade  turística de Sta Maria está naquilo que tem de original, de único e diferente, sendo o processo associado à exploração e utilização da cal, uma dessas importantes diferenças.

"Povo que despreza os marcos da sua história e não honra e respeita a sua memória coletiva, está condenado a perder a sua alma e identidade e não será mais do que uma cópia, no futuro”.  (J.Melo)

* José Andrade Melo
   CADEP-CN e Amigos dos Açores Sta Maria
   Coordenador do Núcleo de Pedestrianismo e Ambiente do Gonçalo Velho