“TÁ FECHADO. TOU PRÓS
TOIROS”
Artigo de
Mariano Borges
A notícia de que os residentes no
município espanhol de Guijo de Galisteo optaram por gastar 10 000 euros em
touradas em vez de criarem empregos locais, apesar da taxa de desemprego ser da
ordem dos 31%, publicada no jornal britânico The Guardian, no passado dia 4 de
Junho, terá apanhado várias pessoas de surpresa, o que não foi o meu caso.
Com efeito, tenho refletido muito
sobre a indústria do lazer e lido, também, muito sobre a história da
tauromaquia, tanto a nível nacional como a nível da ilha Terceira, e já havia
chegado à conclusão de que séculos de habituação e de deseducação fomentados
pelos detentores do poder político, económico e religioso levaram à alienação
dos cidadãos que preferem viver das migalhas do Rendimento Social de Inserção,
das ajudas do Banco Alimentar ou de outra qualquer instituição de solidariedade
social do que ter um trabalho devidamente remunerado.

Vivi vários anos na ilha
Terceira, na década de oitenta do século passado, e no meu local de trabalho
verifiquei que nos dias de tourada à corda, havia funcionários que andavam com
a “cabeça no ar” e que, ou não eram capazes de estar no trabalho um minuto a
mais, ou saiam mais cedo, não cumprindo o horário de trabalho estabelecido.