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29 de agosto de 2013

PlANTAS AROMÁTICAS E MEDICINAIS: - O SABUGUEIRO (SAMBUCUS NIGRA)

HISTÓRIA E PROPRIEDADES  DA PLANTA 
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Foto: José Melo (CADEP-CN)
 De acordo com o livro “Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais”, o sabugueiro é uma das plantas cuja história acompanha a do homem. Com efeito, são conhecidos vestígios desta planta em estações arqueológicas da Idade da Pedra. 
 O sabugueiro, que se popularizou na Europa como planta decorativa a partir do século XVI, era uma das plantas mais cultivadas nos Açores para servir de sebe e tapume para separação de quintais. 

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 Com os seus caules que são ocos as crianças faziam uns brinquedos que eram conhecidos como “estalos” e que surgiam na época da apanha das laranjas. O seu miolo, hoje substituído pela esferovite, era usado na construção dos pêndulos elétricos.
 O Padre Ernesto Ferreira no seu livro “ a Alma do Povo Micaelense” fala numa crença associada ao seu uso. Assim, acreditava-se que “um rosário, feito com cinco ou sete rodelas de sabugueiro e posto ao pescoço das crianças, tem o condão de preservá-las do garrotilho”, doença comum na infância causada por um vírus que provoca “inchaço nas vias respiratórias superiores, envolvendo a laringe e a traqueia. 
 O naturalista de Santa Maria, Dalberto Pombo, que também se interessou pelas plantas medicinais dos Açores, numa publicação sobre o assunto escreveu que “no sabugueiro todas as suas partes se podem utilizar: as folhas, as flores, a segunda casca, os frutos e a raiz” e aconselhava: “trate, pois, o velho pé de sabugueiro que tem no quintal, ou arranje uma estaca para o plantar, pois a sua presença dar-lhe-á mais esperança…” 
As flores do sabugueiro que podem ser apanhadas nos meses de Maio e Junho, de acordo com Silvano Pereira (1953), eram usadas em infusão como diuréticas e sudoríficas. 
 No inquérito que fizemos, no concelho da Ribeira Grande, a flor do sabugueiro era usada para debelar a febre, na Lomba da Maia, enquanto na Lombinha da Maia usavam-se as bagas para combater a diarreia. Na Ribeira Seca de Vila Franca do Campo, o chá das flores era usado para combater as dores de barriga. Nas Sete Cidades, os respondentes mencionaram o uso da “rosa de sabugueiro” para aliviar a “indisposição, as dores de estômago e as gripes”.
Família- Caprifoliaceae
 Nome científico- Sambucus nigra
 Outras designações- Sabugo, sabugueiro-negro, rosa- de- bem-fazer
 Identificação- Arbusto com os ramos cheios de medula branca, com folhas pecioladas, com 5 a 7 folíolos serrados. As suas flores são branco-amarelas e as suas bagas são negras, apresentando de três a cinco sementes. 
 Utilização- O Dr. Oliveira Feijão escreve que “a planta é fortemente sudorífica e diurética (gota, reumatismo, hidropisias, pneumonias, gripe, sarampo, tosses, etc.), podendo também ser usada como tópico-emoliente e resolutivo (herpes, hemorroidas...)
 Tal como as restantes plantas o sabugueiro deve ser usado com o máximo de cuidado. No caso presente “devido à possibilidade de intoxicação por cianeto, as crianças devem ser desencorajados a fazer apitos” e o uso das folhas poderá trazer problemas pois estas possuem “glicosídeos cianogénicos”.
 
* Texto: Teófilo de Braga
 (Correio dos Açores, 27 de Agosto de 2013)

1 comentário:

Oriana Furtado Lourenço disse...

Ñ conhecia a Naturmariense pelo q felicito a ideia.Consultei o Salgueiro e, embora este espaço ñ se dedique às crenças, ñ resisto a dizer-vos q o caule de Sabugueiro era usado na Ribeira Grande para manter longe a inveja é mau olhado.
Cumprimentos. Oriana Lourenço, ribeiragrandense.