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15 de fevereiro de 2014

A PIMENTA - "ALIMENTO FUNCIONAL"

 Nome comum: Pimenta, Pimenta-da-terra (Açores), Pimenta Malagueta, "piri-piri"
Pimenta-da-terra

Nome científico: Capsicum annuum (variedades menos picantes) e Capsicum frutescens (variedades mais picantes)

 Quem utiliza a pimenta no dia-a-dia está beneficiando, além do tradicional tempero, de uma série de medicamentos naturais: analgésico, anti-inflamatório, vitaminas, benefícios que os povos primitivos descobriram há milhares de anos, e que agora estão sendo comprovados pela ciência.

A pimenta faz bem à saúde e o seu consumo é essencial para quem tem enxaqueca. Essa afirmação pode cair como uma surpresa para muitas pessoas que, até hoje, acham que o condimento picante deve ser evitado.  A pimenta traz consigo alguns mitos, como por exemplo o de que provoca gastrite, úlcera, pressão alta e até hemorróidas.  Nada disso é verdade.  Por incrível que pareça, as pesquisas científicas mostram justamente o oposto!  A substância química que dá à pimenta o seu caráter picante é exatamente aquela que possui as propriedades benéficas à saúde.

31 de outubro de 2013

LOSNA (ARTEMISEA ABSINTHIUM)


PROPRIEDADES MEDICINAIS 

 A losna, cujo nome traduzido do grego significa “privado de doçura”, é uma planta muito usada, desde a antiguidade, em virtude das suas propriedades medicinais.  

O eng. Silvano Pereira, num artigo intitulado “Plantas empregadas na medicina popular nas ilhas dos Açores”, publicado em 1953, refere-se ao fato da planta ser cultivada, mas bastante rara, e de possuir propriedades estimulantes e aperitivas. 

  O médico Oliveira Feijão, na sua obra Medicina pelas Plantas, menciona o uso das suas folhas e sumidades floridas como “tónicas, aperitivas, estimulantes, digestivas, febrífugas, diuréticas e emenagogas. 

Nos Açores, o uso popular direcionava-se essencialmente para combater as dores de estômago e dos intestinos. 

 O seu uso não pode ser prolongado, pois a losna possui um óleo que, usado em doses elevadas, provoca graves intoxicações. 

IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO 

Nome popular mais comum: Losna 
Foto T.Braga



Outras designações- Absinto, losna-maior 

  Nome científico- Artemisia absinthium L. 

Família- Asteraceae 

 A losna é uma planta vivaz, que pode viver aproximadamente 10 anos, apresentando um caule verde- prateado e ereto. As suas folhas são cinzento- esverdeadas na página superior e brancas na inferior e as suas flores são amarelas. 

Texto: Teófilo de Braga com adaptações de José Melo

26 de outubro de 2013

CONHEÇA O “CAPUCHO” (PHYSALIS PERUVIANA)

PROPRIEDADES MEDICINAIS E OUTROS USOS 

A Physalis, planta originária da América do Sul, é conhecida popularmente nos Açores por capucho e dá um fruto alaranjado ou avermelhado.  

É uma planta subespontânea nos Açores, estanto naturalizada em regiões tropicais e subtropicais. Antigamente era facilmete encontrada em Santa Maria, sendo atualmente mais raro ter esse doce encontro com os seus belos frutos alaranjados. 

Antigamente a planta e o fruto eram utilizados medicinalmente como como depurativo, diurético. Existe também alguma literatura que releva as suas propriedades anti-oxidantes. 


A Physalis dá um fruto denominado de “capucho”, que é bastante saboroso e pode ser comido em cru, sem qualquer preparação. É normalmente usado na cozinha como decorativo de pratos e sobremesas devido ao aspecto fora do vulgar.

 Pode ser usado em compotas e doces ou em licores.  

No arquipélago açoriano, para além do uso medicinal de outrora pelos nossos avoengos, é comido como fruto ao natural,  e também transformado em compota, sendo muito procurado e afamado o “Doce de capucho”,  produzido por uma empresa de S.Miguel. 

25 de outubro de 2013

PLANTAS MEDICINAIS EXISTENTES EM STA MARIA - O ARAÇAZEIRO (PSIDIUM LITTORALE)

PROPRIEDADES MEDICINAIS 

O araçazeiro, além de conhecida árvore de fruto, também é tida como planta medicinal, sendo o fruto referido popularmente para tratamento da diarréia, sendo para tal recomendada a variedade da planta que dá o araçá de cor mais arroxada ou vermelho. 

 Nalgumas localidades dos Açores, as folhas do araçazeiro também eram usadas, em infusão, no tratamento da diarreia de alguns animais. 

Silvano Pereira, num texto publicado em 1953, no Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, depois de referir que a planta era cultivada pelos seus frutos, menciona o uso da infusão das suas folhas, sobretudo da variedade roxa, como antidiarreico.  Mais recentemente, em 1997, Yolanda Corsépius, no seu livro “Algumas Plantas Medicinais dos Açores”, apenas refere o uso do araçá amarelo, recomendando a utilização de 30 g de folhas secas por cada litro de água em infusão, para efeitos adstringentes. 

IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO 

Nome popular: araçazeiro 

Outras designações: araçaleiro, goiaveira 
 
Nome científico: Psidium littorale 

 Família: Myrtaceae 
 
O araçazeiro é uma planta nativa da América do Sul que terá sido trazida para a europa pelos navegantes.

 O araçazeiro é uma planta muito comum nos quintais das moradias nas zonas rurais e nas quintas. 

 O araçazeiro normalmente é plantado pelo homem, mas escapa-se com alguma facilidade dos locais onde é cultivado, encontrando-se naturalizado em barreiras, taludes e estrada,  ravinas e nalgumas matas. 

 É uma pequena árvore ou arbusto, sempre verde, com um tronco acastanhado. As suas folhas são glabras e opostas e os seus frutos, que podem ser vermelhos, arroxeados ou amarelos, são muito saborosos. 

Fonte: Teófilo de Braga (Adaptações textuais de José Melo)

23 de outubro de 2013

PLANTAS MEDICINAIS EXISTENTES EM STA MARIA -"MARIA-LUÍSA (LIPPIA CITRIODORA)"

PROPRIEDADES MEDICINAIS

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Foto: Teófilo de Braga
 Planta outrora muito cultivada nos quintais e jardins, a “Maria-Luísa” é muito utilizada por causa das suas propriedades sedativas.  
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 O ourives Joaquim Cândido Abranches, em 1894, mencionava o uso da “Maria-Luísa” em “chá para doenças estéricas”. 
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De acordo com Silvano Pereira (1953), a infusão das suas folhas e flores era usada como calmante. 
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A “Maria-Luísa” nos Açores é popularmente é apontada com utilização medicinal  com   “para os nervos”, “para o coração e para as “dores de barriga”. 
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O Dr. Oliveira Feijão refere que a infusão das suas folhas é usada como “estomáquico e antiespasmódico.  
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 De acordo com o livro “Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais”, editado, em 1988, pelas Selecções do Reader’s Digest, o seu uso prolongado é desaconselhado por poder provocar perturbações gástricas. 
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 Nalgumas localidades da Região havia o hábito de fazer “chá” de “Maria-Luísa”, que era tomado com leite. 
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A sua essência é usada como repelente de insetos. 
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IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO 

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Nome popular mais comum: “Maria-Luísa 

 Outras designações: Lúcia-lima, limonete, erva- limão, doce-lima. 

Nome científico: Lippia citriodora 

Família: Verbenaceae 
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Caracteriza-se por ser  um arbusto ramoso, com folhas lanceoladas e muito aromáticas. 
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 Planta originária da Argentina, do Peru e do Chile, é espontânea na América do Norte, existindo nalguns quintais e jardins dos Açores, por cultivo.
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* Fonte de consulta:Teófilo de Braga (Com adaptações textuais de José Melo)

22 de outubro de 2013

PLANTAS MEDICINAIS: ERVA-CIDREIRA (MELISSA OFFICINALIS)

PROPRIEDADES MEDICINAIS
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Foto: José Melo (Almagreira)
Já á no século X os árabes a elogiavam a erva-cidreira como “remédio para a melancolia”.
A 27 de Janeiro de 1892, o Diário de Anúncios referia que a cidreira tomada em chá era boa para “aliviar incómodos nervosos”.

O Eng. Silvano Pereira, em 1953, escrevia que a erva-cidreira era usada na medicina popular para alívio de dores intestinais. 

 Nos Açores, popularmente a erva-cidreiar é mencionada com poder medicinal para combater as dores de barriga, para o coração, para “acalmar os nervos” e  rebater a febre.  

De acordo com o Dr. Oliveira Feijão, a erva cidreira apresenta “propriedades estomáquicas e antiespasmódicas (vertigens, más digestões, flatulência, cólicas, espasmos, palpitações, etc.) 

 Yolanda Corsépius, no seu livro “Algumas Plantas Medicinais dos Açores”, refere que alguns galhos da planta fresca colocados nos armários afastam as traças. 

 A planta ainda é apontada  por alguns autores como uma das melhores plantas melíferas. 

IDENTIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO 

Nome popular mais comum: Erva-cidreira

Outras designações:  Cidreira, melissa e limonete 

 Nome científico: Melissa officinalis 

Família: Lamiaceae 


Foto: José Melo (Almagreira)
É uma planta vivaz, muito ramificada e aromática, conhecida pelo seu forte e agradável aroma a limão. As suas folhas são ovais, serradas e de nervuras salientes.  

A erva-cidreira originária das regiões sul da Europa, Ásia e norte de África é uma planta cultivada nos Açores, encontrando-se também em Sta Maria. 

* Texto de Teófilo de Braga (com adaptações de José Melo) 

14 de setembro de 2013

A PERPÉTUA-SILVESTRE COMO PLANTA MEDICINAL

APRESENTAÇÃO DA PERPÉTUA-SILVESTRE
(Gnaphalium luteo-album) 
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Perpétua-silvestre (Foto:José Melo)
De nome científico Gnaphalium luteo-album, pertence à família Asteraceae. 

Distribuição Geográfica- Em todas as ilhas dos Açores. Madeira, Canárias, Europa até ao Sul de Inglaterra, Sul da Suécia e Latvia.

 Identificação: Erva anual, coberta de pêlos, não atingindo os 30 cm de altura com flores castanho-amareladas, em cacho.

 Habitat preferencial: Aparece normalmente em lugares húmidos e arenosos.

 Utilização medicinal: Em chá para combater a rouquidão. Joaquim Cândido Abranches, em 1894, escrevia que era também usada no tratamento de outras doenças da garganta.
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Foto: José Melo (CADEP-CN)

5 de setembro de 2013

OS “COUCELOS” E SUAS PROPRIEDADES COMO PLANTA MEDICINAL

EXISTEM DOIS TIPOS DE COUCELOS  O UMBILICUS
RUPESTRIS  E O UMBLILICUS HORIZONTALIS-
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Umbilicus rupestris (Foto:José Melo

Na bibliografia que conhecemos acerca das plantas usadas na medicina popular, apenas encontramos referência aos coucelos no livro “Medicina Popular Micaelense”, de Cândido Abranches. Segundo o autor a planta era “aplicada sobre feridas para lhe tirar a inflamação”.  -
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Apuramos que o chá das sementes era usado, na Ribeira Chã e nos Ginetes, para combater a diarreia, e, em Ponta Delgada, as folhas eram em saladas e sopa, sendo também ministradas a diabéticos. 
 Há poucos dias, o senhor Paulo José Cabral, do Pico da Pedra, a propósito desta planta escreveu numa conhecida rede social:
 

“Quando era miúdo e andava descalço, estavam sempre a acontecer as célebres topadas, (pancada com os dedos dos pés em pedras ou elevação de terreno, que provocavam queda de unhas e levantamento da pele da ponta dos dedos magoados). O tratamento habitual era desinfetar o mais possível com água oxigenada e fazer uma massa de coucelos que se colocava sobre a ferida para ajudar a cicatrizar. Repetia-se o tratamento todos os dias até começar a aparecer a pele nova.” 

29 de agosto de 2013

PlANTAS AROMÁTICAS E MEDICINAIS: - O SABUGUEIRO (SAMBUCUS NIGRA)

HISTÓRIA E PROPRIEDADES  DA PLANTA 
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Foto: José Melo (CADEP-CN)
 De acordo com o livro “Segredos e Virtudes das Plantas Medicinais”, o sabugueiro é uma das plantas cuja história acompanha a do homem. Com efeito, são conhecidos vestígios desta planta em estações arqueológicas da Idade da Pedra. 
 O sabugueiro, que se popularizou na Europa como planta decorativa a partir do século XVI, era uma das plantas mais cultivadas nos Açores para servir de sebe e tapume para separação de quintais. 

24 de agosto de 2013

ARRUDA (RUTA CHALEPENSIS)

Foto: José Melo (Jardim Almagreira)
 A arruda é uma das plantas mais usadas, nos Açores, quer na medicina popular quer associada a várias superstições. Este facto é comprovado pelo seguinte provérbio: “Eu sou a arruda, que sou a tua ajuda”. 
Em 1894, Cândido de Abranches referia o uso da arruda para tratamento de padecimentos histéricos e uterinos, tomada em chá ou cheirando-a. 
 A quadra popular, que a seguir se apresenta, mostra que se acreditava que a arruda era uma boa ajuda para “clarear a voz”:  
Eu bem queria cantar alto,
 Mas esta voz não me ajuda,
 Vou esfregar a garganta
 Com um raminho de arruda. 
Foto: José Melo (Jardim Almagreira)
 O Dr. Carreiro da Costa, depois de referir que era possível encontrar a planta nos quintais de todas a povoações, menciona a ligação da arruda, não só à medicina popular, como também a várias superstições. Assim, no nº 15 do Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores, podemos ler que “figueira, debaixo da qual se criem uns pés de arruda, dá pela certa os mais lindos e deliciosos figos que imaginar se possa” e mais adiante “galhos da mesma arruda presos ao pescoço das rezes as livra do mau-olhado. E por último, “o fumo da arruda queimada sobre uma brasa viva imune as casas de maus-olhados e feitiços- e não só as casas como também as pessoas”. 
No concelho da Ribeira Grande, a planta é usada para as debelar dores de estômago e para tratar doenças da bexiga e rins. Nas Sete Cidades, dizia-se que “tirava as dores do corpo e era boa para o estômago e vias urinárias”. Na Maia, em 1992, também, era conhecida a sua utilização “contra as bruxas”.  
Família- Rutaceae 
 Nome científico- Ruta chalepensis (também é usada a Ruta graveolens) 
 Outras designações- Ruda, Arruda-dos-jardins, Arruda-fétida, erva-da-graça, erva-das-bruxas (em Portugal Continental) 
 Identificação- Erva vivaz, com folhas acinzentadas, segmentadas e fétidas. O caule é lenhoso e ramificado, podendo atingir os 60 cm de altura. As suas flores são amarelas e pequenas. 
 Utilização- De acordo com o Dr. Oliveira Feijão, a arruda pode ser usada internamente para combater deficiências menstruais, a histeria e a gota, externamente para nevralgias,  Yolanda Corsépius aconselha manter alguns ramos da planta fresca nos locais onde se quer evitar a presença de ratos.
  Texto de: Teófilo Braga
 (Correio dos Açores, 13 de Agosto de 2013)